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domingo, julho 31

....... THE HERALD... A KNIGTH SHADOW DESERT'S .......

… Antes da Cosmogênese “EU” já pairava entre Sete Nadas!!!
... Não sou Incríado... Não sou eterno... Porém YHWH deu-me a Missão de percorrer o tempo!!!
Sou Mortal... Morrerei Lutando em Meegido... Sedento de Sangue de Anjo Caído!!!
Uma Sombra... A percorrer os Desertos do Oriente... Não possuo a Fama de Sansão... Nem as Glórias de Davi... Tampouco as Riquezas de Salomão!!!
Guerreiro de D’us... Flagelo de D’us... Martelo de D’us!!!
De minha Espada nunca escapou quem fosse Heteu... Amorreu... Ou Jebuseu... Vermelho!!! Minha cor preferida!!!
Despojos???
São para Mercenários... Necessitados... Pobres de Espírito!!!
Eu Luto pela Honra de meu “SENHOR”... YHWH ELOHIM SABAOTH!!!
Vi Salém… Reino de Melkdzedeck “ Rei de Justiça”... Tranformar-se em Yerú-Salém(Jerusalém)... Morada do D’us Altíssimo... E sua Prometida!!!
Guerreiro Nazireu... Consagrado à YHWH ELOHIM SABAOTH!!!
Não corto meus Cabelos...
... Não raspo minha Barba...
... Não me transtorno com os Nefastos efeitos do Vinho...
... Tampouco me embriago com bebidas fortes!!!
SOU SÓBRIO... ATENTO... SAGAZ... SEMPRE PRONTO À MATANÇA!!!
Meu pecado??? Minhas Paixões!!!
As Mulheres... Seus olhares... Seus perfumes... Seus véus... O Oculto Ardente!!! Há também suas Perfídias... Que com Mórbido prazer as deixo no vácuo do Sétimo Nada!!!
Oh!!! Mas como gosto de Cerejas!!! Elas invadem-me os devaneios... E fazem-me Explodir em gotas de Lúmem Ethéreo!!!
Meus Amores???
Meu “SENHOR”... Minha Rocha... Meu Abrigo...
... Sonda-mês o Coração ao Dia!!!
Sonda-mês os Rins à Noite!!!
De Elohim Sabaoth... Senhor dos Exércitos... Sou um Guerreiro... Sem Nome... Sanguinolento... Das Sombras... Fugaz... Voraz... Sem Fama nem Glórias!!!
Meu outro Amor???
Meus Pergaminhos... Minhas Penas... Minhas Lembranças... Minhas Questões... Meus Pensamentos... Meus Tormentos... Meus Surreais Sentimentos... De Irreais Momentos!!!
Tenho boas lembranças... Na conquista de Canaã... De meus 1,93 cm... Invisível no Exército de Josué... Era Eu um anão perto dos Anackins!!!
Uma Batalha digna de Hebrew errante das Sombras... Sozinho esquartejei 130 Anackins... Descendentes dos Néfilins... Filhos do D’us Altissímo... Os Anackins eram gigantes com cerca de 4,80cm de altura!!!
Os que não sucumbiram ante a Taça da Ira de YHWH... Atráves do Flágelo das Espadas Famintas.... Fugiram para Gate... Aser...  E Gaza ao Sul de Judá!!!
Davi... O Ungido de ELOHIM ADONAI... Matou com uma pedrinha n’uma funda o ultimo Anackin... O Filisteu de Gaza Golias gigante de 3,80cm... Aliás, Eu estava lá... Lembro-me bem do Prazer Sanguinário nos Olhos de Davi ao cortar a cabeça de Golias e balançá-la ao Ar!!!
Davi sempre gostou de uma Matança... Diferente de seu filho Salomão!!!
Quando tudo ficava em Paz com meu povo... Os Hebrews... Eu saia farejando o Sangue das Guerras... Lutei em várias... Pelo prazer!!!
Combati Assirios... Depois Líbios... Sírios... Fenícios... Persas... Babilônios...
... Egípcios... Gregos... Macêdonios... Etíopes... Acádianos... Sumérios!!!
Mas meu maior prazer era derramar Sangue Romano... Assassinos sem Honra... Com suas Políticas... E suas Invenções Republicanas!!!
Com o Advento do Messias... Tudo mudou... Mas não para Mim!!!
“ELE” falava de Paz... De Boas Novas... De um Reino Milenar... Da Derrota de Satanás e seus Asseclas!!!
Porém a Mim coube... “Se Vives pela Espada... Pela Espada Morrerás”!!!
Mas depois de tantos Milênios... Já não tenho mais Medo...
... Quando o Mataram... Um pouco antes predisse a destruição de Jerusalém... No ano 70 de Nosso Senhor... Roma destruiu Jerusalém... Não pude conte-los... Mas lutei por dias... Sem descanso... Sem comida... Sem beber... Meu Alimento era sangue Romano!!!
Depois de tudo... Sumi pelo Mundo... Sempre em busca de uma Guerra que valesse à pena!!!
Pense n’uma Guerra... E lá estive Eu... Nasci para isso... Está em meu DNA Akáshico!!!
Agora espero o Dia do Júizo... A derradeira Batalha... Quero enfrentar os Soldados unidos de Rossland de Frente... Que venha o Chefe do Reino do Norte!!!
Já não possuo Sanidade... Minha Espada muito menos... Desejosos de Vísceras expostas!!!
Sei que vou morrer enfim... Mas quero Morrer nas Mãos do Anti-Cristo!!!
Olhando em seus Olhos Minha Própria Alma!!!
E quando estiver no Tribunal de Berna... Receberei meu Galardão... Estarei à direita de YESHUA!!!
E por Fim descansarei de minhas matanças... E cuidarei de minhas Feridas e Cicatrizes!!!
Com a Paz estabelecida... Não serei mais um Guerreiro... Serei um Sacerdote de YESHUA... Um Arauto de YHWH!!!

.......”SHALON ADONAI” .......

Gutemberg de Moura 
           

terça-feira, junho 28

A História de Rute... O Romance da Redenção

(Livre Adaptação do Livro De Rute)

Introdução

O Livro de Rute, às vezes chamado de “O Romance da Redenção”, é uma encantadora e idílica história de Fé, Devoção e Amor. O Romance que se desenvolve no Livro de Rute nada há de Imodesto ou Indecoroso nesta bela história de Amor puramente obtido.
Rute pode originalmente ter sido parte do Livro de Juízes. No entanto, ao tempo do Novo Testamento era incluído em um rolo separado com outros quatro Livros que eram lidos durante as Festas Religiosas de Israel. Esses livros eram conhecidos como os Cinco Megilloth (Rolos) e organizados para leitura nas festas de Israel na seguinte ordem: Cantares de Salomão, Rute, Lamentações. Eclesiastes e Ester.  Rute era lido nas festa das semanas (Pentecostes) Porque boa parte de sua narrativa se situa nos campos em tempo de colheita.
De acordo com a Lei Mosaica (Dt: 25.5), um parente próximo tinha a primeira opção de compra de que pertencesse a um Israelita falecido, mas, se o fizesse tinha também a obrigação de casar-se com a viúva, se esta não tivesse filhos do falecido. O parente mais próximo do falecido marido de Rute declinou de oportunidade de casar-se com Ela, uma vez que isso lhe traria problemas de herança na família. Assim, o parente mais próximo, Boaz, pôde resgatar a terra e reivindicar a viúva como sua esposa.
Esta Gentia (Moabita) é uma das quatro mulheres incluídas na Genealogia de Jesus (Mt: 1.5). No entanto, era também descendente de Terá, Pai de Abraão (Gn: 11.31). A Genealogia no ultimo capítulo documenta a semente de Abraão, chegando até Davi, o Ancestral Humano tanto de José quanto de Maria (Mt: 1; Lc: 3; Gn: 22.18).
Não há revelações preditivas no Livro de Rute. Apesar disso, muitos estudiosos das Escrituras comparam o relacionamento de Boaz, o Noivo, e Rute, a Noiva, ao Relacionamento de Cristo com Sua Igreja.
Dos 85 versículos que compõe o Livro de Rute, quinze (ou seja 18%) são tipologicamente preditivos em Relação a Cristo e a Igreja. Tal como Boaz, Jesus procede de Belém e busca uma Noiva Gentia, cumprindo as profecias Messiânicas da linhagem Real Davídica. O Livro foi escrito entre 1150 e 1120 A.C.

Gutemberg de Moura

A História de RUTE

Parte 1- Elimeleque e a sua família em Moabe.

Nos tempos em que Israel era governado por Juízes, houve uma grande fome naquela Nação. Por isso um Homem de Belém, Cidade da região de Judá, foi com sua mulher e seu dois filhos morar algum tempo num país chamado Moabe. O nome desse Homem era Eimeleque, e de sua mulher era Noemi. Os seus dois filhos chamavam-se, o mais velho Malom e o mais novo Quiliom. Essa família era de Efrata, um povoado que ficava perto de Belém de Judá.
Eles foram para Moabe e ficaram morando ali. Algum tempo depois, Eimeleque morreu, e Noemi ficou com os dois filhos, que haviam se casado com moças Moabitas. O nome de uma delas era Orfa, e o da outra moça era Rute. Quando já fazia quase dez anos que estavam morando ali, Malom e Quiliom também morreram. E Noemi, sem os filhos e sem Marido.
À volta para Belém:
Um dia Noemi soube que o Senhor tinha ajudado o seu povo os Hebreus, dando-lhes boas colheitas. Então Ela se aprontou para sair de Moabe com suas duas noras. Elas saíram a fim de retornarem à Judá, mas no meio do caminho Noemi pensou bem, e dirigiu-se as suas Noras:
- Voltem para casa e fiquem com suas Mães. Que o Senhor seja bom para vocês, assim como vocês foram boas para Mim e os Falecidos!O senhor permita  que vocês casem-se novamente e cada uma tenha o seu Lar!
Então Noemi despediu-se das suas noras com um beijo. Porém Elas começaram a chorar alto e disseram:
- Não! Nós não voltaremos. Nós iremos com a Senhora e ficaremos com o seu povo, os Hebreus!
Mas Noemi respondeu:
- Voltem minhas filhas. Por que querem ir comigo? Vocês acham que Eu ainda poderei ter filhos para casar-se com vocês? Voltem para casa porque já estou muito velha para casar-me de novo. Pois, ainda que Eu tivesse a esperança de casar-se outra vez ou mesmo que casasse esta noite e chegasse e ter filhos, será que vocês iriam esperar até que Eles crescessem para vocês casar-se com Eles? É claro que não, minhas filhas! O Senhor está contra Mim, e isso me deixa muito triste, pois vocês também estão sofrendo.
Aí Elas começaram a chorar alto outra vez. Então Orfa despediu-se da sua Sogra com um beijo e voltou para o seu povo os Moabitas. Mas Rute ficou.
- Veja!- Disse Noemi- A sua cunhada voltou para o seu povo e para os seus deuses. Volte você também para casa com Ela.
Porém Rute respondeu:
- Não me proíba de ir com a Senhora, nem me peça para abandoná-la! Onde a Senhora for Eu irei; e onde morar Eu morarei também. O seu povo será o Meu Povo, e o seu Deus será o meu Deus. Onde a Senhora morrer, Eu morrerei também e ali serei sepultada. Que o Senhor me castigue se qualquer coisa, a não ser a Morte, me separar de Senhora!
Como Noemi viu que Rute estava mesmo resolvida a ir com Ela, não disse mais nada. E Elas continuaram a viagem até Belém.
Quando chegaram lá, toda a cidade ficou agitada por causa dElas. E mulheres perguntavam:
- Esta é Noemi?
Porém Ela respondia:
- Não me chame de Noemi, a Feliz. Chame-me de Mara, a Amargurada, porque o Deus Todo-Poderoso me deu muita amargura. Quando saí daqui, eu tinha tudo, mas o Senhor me fez voltar sem nada. Então, por que me chamar de Feliz, de o Deus Todo-Poderoso me fez sofrer e me deu tanata aflição?
E foi assim que Noemi voltou de Moabe, com Rute, a sua nora Moabita. Elas chegaram a Belém quando a colheita de Cevada estava começando.

Parte 2- Rute vai catar espigas.

Noemi tinha um parente chamado Boaz, que era um Homem rico e importante. Ele era da família de Eimeleque, o Marido de Noemi.
Um dia Rute disse a Noemi:
- Deixe-me que Eu vá até as plantações para catar as espigas que ficam caídas no chão. Talvez algum trabalhador me deixe ir atrás dele, catando as espigas que forem caindo.
- Vá minha filha – Respondeu Noemi.
Então Rute foi ao campo e andava atrás dos trabalhadores, catando as espigas que caiam. E por acaso Ela entrou numa plantação que era de Boaz, um parente de Eimeleque.
Nisso Boaz chegou de Belém e disse aos trabalhadores:
- Que o Senhor esteja com vocês!
- Que o Senhor o Abençoe!- Responderam Eles.
Aí Boaz perguntou ao chefe dos trabalhadores:
- Quem é aquela moça ali?
Ele respondeu:
É a Moabita que veio de Moabe com Noemi. Ela me pediu que a deixasse ir atrás dos trabalhadores, catando as espigas que fossem caindo. E só parou um pouco para descansar debaixo do abrigo.
Então Boaz fica pensativo... Chama Rute e diz a Ela:
- Escute minha filha. Não vá catar espigas em nenhuma outra plantação. Fique aqui e trabalhe perto das minhas empregadas. Preste atenção e fique com Elas no campo onde vão cortar espigas. Eu dei ordens aos empregados para que não venham a mexer contigo. Quando ficar com sede, beba da água que os empregados tirarem para beber.
Aí Rute ajoelhou-se, encostou  o rosto no chão e disse:
- Por que é que o Senhor reparou em Mim e é tão bom para Mim. Que sou Estrangeira, Moabita?
Boaz respondeu:
- Eu ouvi falar de tudo o que você fez pela sua sogra desde que o seu Marido morreu. E sei que você deixou seu Pai, a sua Mãe e a sua Pátria e veio viver com entre gente que não conhecia. Que o Senhor a recompense por tudo o que você fez. Que o Senhor, deus de Israel, cuja proteção você veio procurar, lhe dê uma grande recompensa.
Rute disse a Boaz:
- O Senhor está sendo muito bom para Mim. O Senhor me dá ânimo , falando comigo com tanta bondade, pois Eu mereço menos do que uma de suas empregadas.
Na hora do almoço, Boaz disse A Rute:
- Venha aqui, pegue um pedaço de pão e molhe no vinho.
Então Ela sentou-se ao lado dos trabalhadores, e Boaz lhe deu cevada torrada. Ela comeu até ficar satisfeita, e ainda sobrou. Quando Rute se levantou para ir de novo catar espigas, Boaz ordenou aos seus empregados em segredo:
- Deixem que Ela apanhe espigas até no meio dos feixes e não a aborreçam. Tirem também algumas espigas dos feixes e deixem cair para que Ela possa apanhar. E não briguem com Ela.
E assim Rute catou espigas no campo até de tarde. Depois debulhou os grãos das espigas que havia apanhado e estes pesaram cerca de vinte e cinco quilos. Pegou a cevada, voltou para a cidade e mostrou à sua sogra o quanto havia catado. Também lhe deu a comida que tinha sobrado do almoço. Então Noemi perguntou:
- Onde é que você foi catar espigas hoje? Onde foi que você trabalhou? Que Deus Abençoe o Homem que interessou por você!
Aí Rute contou todo o ocorrido a Noemi, que havia trabalhado na plantação de um Homem chamado Boaz. E Noemi disse:
Que o Senhor Abençoe Boaz, que sempre tem sido bom, tanto para os que estão vivos como para os que já morreram!
Noemi continuou:
- Esse Homem é nosso parente chegado e um dos responsáveis por nós.
Então Rute disse:
- Além de tudo isso, Ele disse que Eu posso continuar trabalhando com os seus empregados até acabar a colheita.
Noemi respondeu:
- É bom que você vá com as empregadas de Boaz, minha filha. Pois, se fosse trabalhar na plantação de outro Homem, você poderia ser humilhada.
Assim Rute Trabalhou com as empregadas de Boaz e catou espigas até terminar a colheita da cevada e do trigo. E continuou com a sua sogra.
Parte 3- A Bondade de Boaz.

Um dia Noemi disse a Rute:
- Minha filha, preciso arranjar um Marido para você, a fim de que você tenha um Lar, Você lembra que Boaz, o Homem que a deixou trabalhar com suas empregadas, é um dos nossos parentes? Pois bem! Esta noite Ele vai debulhar a cevada, Faça o seguinte: Lave-se, ponha perfume e vista o seu melhor vestido. Depois vá até o lugar onde Boaz está trabalhando, mas não o deixe saber que você está ali, até que Ele acabe de comer e beber. Quando Boaz for dormir, olhe bem aonde Ele vai se deitar. Então vá, levante a coberta dos pés dEle e deite-se ali. Ele dirá o que deve fazer. Rute respondeu:
- Vou fazer tudo o que a Senhora disse.
Ela foi ao lugar onde debulhavam as espigas e fez tudo o que a sua sogra havia mandado. Quando Boaz acabou de comer e beber, ficou um pouco alegre e foi dormir perto de um monte de cevada. Então Rute veio de mansinho, levantou o coberta dos pés dEle e se deitou ali. No meio da noite Ele acordou de repente, sentou-se e ficou muito admirado de encontrar uma mulher perto de seus pés.
Ele perguntou:
- Quem é você?
- Eu sou Rute, a sua empregada – respondeu0lhe Ela – O Senhor é nosso parente mais chegado e por isso tem o dever de me proteger.
Boaz respondeu:
- Que o Senhor a Abençoe, minha filha! Você está mostrando maior lealdade a família de seu sogro naquilo que está fazendo agora do naquilo que fez pela sua sogra. Pois você não foi procurar um Homem mais moço, fosse rico ou pobre. Agora minha filha, não tenha medo. Na cidade toda gente sabe que você é uma mulher direita. Vou fazer tudo que me pede. De fato sou seu parente chegado e sou responsável por você. Mas acontece que há um Homem que também é seu parente e até mais chegado do que Eu. Fique aqui o resto da noite, e de manhã nós veremos se Ele quer ser responsável por você. Se Ele quiser, muito bem; mas se não quiser, prometo por Deus, O Senhor, que ficarei com essa responsabilidade. Agora deite-se e durma de novo.
Então Boaz disse:
- Tire sua capa e estenda no chão.
Ela estendeu, e Ele despejou na capa uns vinte quilos de cevada e a ajudou a por no ombro. Aí Rute voltou para cidade.
Quando chegou a casa, a sua sogra perguntou:
- Como foram as coisas, minha filha?
Rute contou tudo o que Boaz tinha feito por Ela. E disse Ainda:
- Ele também me deu toda esta cevada e disse “ Não volte para cãs sem levar alguma coisa para sua sogra”
Então Noemi Disse:
- Agora, minha filha, tenha paciência e espere para ver o que vai acontecer. Pois Boaz não vai descansar enquanto não resolver este assunto ainda hoje.

Parte 4- Boaz casa com Rute.

Boaz foi até a praça que ficava ao lado do portão da cidade e sento-se ali. Nesse momento apareceu o parente mais chegado de Eimeleque, aquele de quem Boaz havia falado. E Boaz lhe diz:
- Meu Amigo, venha aqui e sente-se. Ele foi e sentou-se.
Então Boaz chamou dez pessoas importantes da cidade e disse:
- Sentem-se aqui.
Eles se sentaram, e Boaz disse ao seu parente:
- Noemi voltou do país de Moabe e está querendo vender as terras que eram do nosso parente Eimeleque. Então resolvi conversar com você sobre este assunto. Agora, se você quiser, compre essas terras na presença das autoridades do nosso povo e dos Homens que estão sentados aqui. Mas, se não quiser, diga, pois o direito de comprar essas terras é primeiro seu e depois, meu.
O Homem respondeu:
- Eu compro as terras.
Aí Boaz disse:
- Se você comprar as terras de Noemi, também terá de casar com Rute, a viúva Moabita, para que as terras fiquem com a família do falecido.
Então respondeu o Homem:
- Nesse caso, não vou usar meu direito de comprar as terras, pois correria o risco de prejudicar a minha própria herança. Use você o meu direito; Eu prefiro não fazer isso. Compre você as terras.
Em seguida tirou as sandálias e deu a Boaz. (Antigamente em Israel, pra fechar um negócio de compra ou troca de propriedades, uma pessoa entregava a outra as suas sandálias.)
Aí Boaz disse as autoridades e a todo povo:
- Hoje vocês são testemunhas de que eu comprei de Noemi tudo o que era de Eimeleque, e de Quiliom, e de Malom. Também casar-me-ei com Rute, a Moabita, viúva de Malom, para que a propriedade continue com a família do falecido. Assim o nome de Malom será lembrado no meio deste povo e na sua cidade natal. Hoje vocês são testemunhas disso.
Todos responderam:
- Sim, nós somos testemunhas.
E as autoridades disseram a Boaz:
- O Senhor faça com que essa mulher, que veio para o seu Lar, seja como Raquel e Léia, que deram muitos filhos a Jacó, tornando-se assim as mães da nação Israelita! Que você seja rico e famoso em Belém-Efrata! Que os filhos que o Senhor lhe der neste casamento façam com que a sua família seja como a família de Peres, filho de Judá e Tamar!
Então Boaz levou Rute para casa, para ser a sua mulher.
Eles tiveram relações, e o Senhor deu a Rute a Benção de ficar grávida, e Ela deu a Luz um filho. E as mulheres disseram a Noemi:
- Louvado seja o Senhor, que lhe deu hoje um neto para cuidar de você! Que este menino venha a ser famoso em Israel! Que Ele seja um consolo para o seu Coração e lhe dê segurança na velhice! A sua nora, a mãe do menino, a Ama; e Ela vale para você mais do que sete filhos.
Noemi pegou o menino no colo e cuidou dele. Ao vê-lo, as mulheres da vizinhança diziam:
- Nasceu um filho para Noemi!
E lhe deram o nome de Obede.
Obede veio  ser pai o de Jessé, que foi pai do rei Davi.
Os antepassados de Davi, desde Peres, são estes: Peres, Esrom, Rão, Aminadabe, Nasom , Salmom, Boaz, Obede e Jessé.
E Por promessa Divina o Messias sairia do lombo de Davi, ou seja seria de linhagem do Rei Davi.

(Livre Adaptação do Livro de Rute)

Por Gutemberg de Moura



     

    
  
   

segunda-feira, maio 9

Crackolândia...Escatologia Infernal

Um Homem cambaleante, protegendo sua garrafa de cachaça, seu tesouro! Roupas maiores que o próprio corpo, sujas e puídas, com certeza fruto Benevolente de algum Filantropo. Sem sapatos, avança por Ruas que só comparando ao Umbral, parar se fizer Idéia de seu aspecto.
Crianças em camisas de Gordo, e cobertas as costas, esqueléticos, cabelos desgrenhados, com grossas cascas de sujeira pelo corpo, e com um hálito que nos faz pensar que Enxofre é Colônia.
Mulheres disformes, que se oferecem em suas quase roupas, disputam pontos com travestis. Estes que se apresentam como aberrações (não por sua condição de homossexual), mas, com efeito, pelo fato de suas deformidades após tantas e tantas aplicações de silicone de procedência duvidosa, que se espalham por seus corpos.
Hotéis de fachadas mórbidas, que agridem ao Olhar com suas cores Berrantes, pintadas numa tentativa de dar mais Vida ao que já Agoniza.
De suas portas exalam cheiros difíceis de Conceber! Cheiro de comida misturado com perfume Barato de “Putas”, cheiro de Urina misturado ao cheiro ardido de Amoníaco, cheiro de Mofo com um leve toque de “Esperma”.
Por essas Ruas há também, Homens que procuram Alivio para suas Dores, ou deveria dizer Prazeres???
Drogas baratas, porém muito potentes, Avassaladoras, mas o que importa não É???
Gozar em Mulheres desdentadas e fedidas, mas ainda assim Mulheres.
Expurgar Pederastia contida, com Travestis, que se mantêm Humanos apenas por sua Fisiologia.
Bares repletos de Bêbados Drogados há de todos os tipos, Brigão, Chorão, o Amigo de todos, Pobre, Mauricinho, Idoso, Jovens recém viciados com os Olhos vidrados como se acabassem de Vislumbrar a Grande Verdade.
Há também, Meninas, Velhas enrugadas, e que assim mesmo vivem de suas Vidas Fáceis, mulher de todo tipo. Garotas percebendo que em troca de Sexo, não Morreriam nem de Fome nem de Abstinência.
Via-se na Rua também, em meio ao Lixo que se acumulam e apodrecem, cachorros sarnentos e moribundos que latem a esmo, ratos vivos e mortos, Prostitutas, carros, carroças de catadores de papelão, mendigos.
Enfim, em meio a essa sorte de Cenas Absurdas, estão aqueles que não podem pagar um Hotel para usarem sua Cota de Alívio. Só ou aos montes, lá estão Eles enchendo a Cena de Vaga-Lumes.
...É isso mesmo, só mais essa vez, e paro, ah, se não paro... Pensava Ele acendendo seu Vaga-Lume...
...Mas também vou usar tudo, também não é muito, isso mesmo, só até acabar o Dinheiro ai vou embora, isso mesmo vou embora, mais uma vez acende seu Vaga-Lume.
...Talvez se Eu ficar muito fissurado, Eu troque a minha Jaqueta de Couro... Mas que “porra” é só até acabar o Dinheiro, nada de trocar roupas, senão onde vou parar... Foi tudo que pensou e sumiu pela escuridão do Umbral.
Como que Brotando do Lixo, vem, Ele vem de lá, da parte mais sombria e perigosa desta Lândia, entre prédios abandonados e os fétidos Hotéis, Morada da Angústia e do Desespero, que dali irradiava-se para todos os lados e alcançava a todos.
...”Filho da puta”, quem Ele pensa que é, essa merreca por uma Jaqueta de Couro, isso aqui não dá para nada, mas que “caralho”!!!...Voltava Ele pensando nervoso, Fissurado.
...Mas Ele ma paga... Pega seu cachimbo sua pedra e acende Seu Vaga-Lume... Em meio aos delírios, fica revoltado lembramdo-se do Traficante que lhe enganara... Saca uma faca de cozinha e volta ao Breu...
...Lembra de mim o seu “panguão”, pensa que vai ficar assim...O traficante apenas Ri do desvairado Nóia...De repente Ele puxa a faca e acerta o traficante várias vezes...Correria, todos correm e gritam, mas essa cena já é comum aqui...Luzes, vermelhas e azuis, são as viaturas...Todos fogem tal qual Baratas quando se acende a Luz.
A polícia nada faz, não há que se fazer é a Rotina do local, socorrem o ferido, fazem algumas averiguações, mas não prendem ninguém.
Para a Polícia e o Poder Público, é mais fácil deixarem Eles se matarem, ou se Matarem de tanto consumir Crack.
O Dia está amanhecendo, e esta situação durará o dia inteiro, em Pleno Centro de São Paulo.
A Crackolândia fica ao lado da Sala São Paulo, uma das salas mais Importantes da America do Sul, Fica ao lado da Estação da Luz Cartão postal de São Paulo, fica perto do prédio central do DEIC, perto do Palácio da Polícia Civil, perto do QG da ROTA, do QG da Cavalaria, Do QG da Tropa de Choque, Perto do QG da Corregedoria, perto QG central da Polícia Militar, e o Pior apenas algumas quadras separam a Crackolândia da Sede da Prefeitura de São Paulo!!!
E Agora??? Fechamos os Olhos??? Fingimos que Nada esta Acontecendo???

Este Texto Eu dedico ao meu irmão de sangue Bruno Cesar de Moura, que Venceu o Vício antes que o Vício o Vencesse.
E aos meus dois Grandes Amigos Hugo (Gão) e Marco Antônio que Infelizmente os perdi para o Crack (Que tenham encontrado a Paz).

Gutemberg de Moura


Do Sofrimento do Espírito

Deitado de costas, fixava o teto, não pensava em nada, nada existia, uma paz de morte era o gosto daquele momento.
Não sentia que seu corpo existia, sabia que tinha membros e órgãos, mas tudo era tão desconexo, não tinha definição de posição também, não conseguia distinguir qual era à disposição de seu corpo naquele espaço.
Na verdade nem queria saber de corpo, posição, membros, objetos, neste momento Ele apenas existia, sem moral, sem certo ou errado, sem angústia. Apenas consciência. Consciência??? Sentidos??? Percepção??? Intelecto??? Noções??? Opiniões??? Moral??? A consciência voltou. Arrrgggghhhh!!!
A vida estava ali diante Dele, sentou-se, era-lhe difícil respirar, parecia que o coração comprimia-lhe os pulmões, os músculos de sua garganta repuxavam-se, era um nó bem feito, um tremor violento passeava por seu corpo, sentia a língua inchar e a boca secar. Seu rosto contraiu-se em uma careta dolorida e lágrimas grossas, quentes e salgadas rolaram.
Tentou levantar-se, ir ao banheiro molhar o rosto, não conseguia, este choro convulsivo roubava-lhe todas as forças, tinha que parar de chorar.
Não é estranho como às vezes, atitudes simples e imperativas, apresentam-se a nós como um sacrifício pesado e impraticável?
Não podia sucumbir à vontade de desfazer-se em lágrimas, liquefazer-se e esperar evaporar-se, ainda assim seria Ele, não podia fugir, não desse modo, juntou forças e levantou-se e literalmente arrastou-se até o banheiro, em frente a pia com a torneira aberta molhava o rosto, ao endireitar-se, deparou-se com sua face no espelho, tentou desviar o olhar, mas não conseguiu, tinha que se encarar, tinha que recobrar a noção de sua feição, mas qual, se para cada capricho, desejo, sofrimento e alegria do Espírito há uma feição diferente. Não será nossa carne, nosso rosto, uma mera máscara que o Espírito usa para mostrar a Si e seus sentimentos?
Seu rosto tinha um aspecto de amassado, seus olhos estavam inchados e eram de um vermelho vivo, emoldurado por olheiras de um roxo mórbido e opaco, sua barba estava por fazer, o que lhe ressaltava o abatimento e a apatia. Seus cabelos desgrenhados completavam o quadro, que seu Espírito pintara em sua face com cores de angústia e mágoas.
O choro cessou apenas a angústia permanecia, e a violência com que se apresentava o fez sentir náuseas, e vômito jorrou com violência igual à de sua “mãe”.
Arrastou-se de volta à cama, e ali permaneceu sentado, contemplando as facetas de sua consciência do “Nada”, seu mundo neste momento constituía-se apenas daquelas paredes que o cercavam. Paredes que o protegiam? Paredes que o prendiam? Tanto faz, pois protegido ou prisioneiro, estava Só.
Precisava acalmar-se, era mister por as idéias em ordem, precisava concatenar os pensamentos.
Lembrou-se de uma garrafa de Vinho que guardara para comemorar seu aniversário, ( que porventura é hoje), um presente sem “presentes”, havia também canabis, que usava de forma recreativa, mas agora dane-se, queria entorpecer-se indiscriminadamente, queria acalmar-se, mesmo que de uma forma tão tola e errada.
E daí que viria a recorrer á objetos externos para se recompor a ponto de poder raciocinar, o “Fermentado” e o “THC” lhe dariam o que sua razão “tão acima da média” não conseguia. Tornara-se um ébrio.
Bebeu e fumou, era gostoso sentir-se inebriado, sentia-se lúdico, era quase como estar feliz!
Mas afinal o que é a felicidade? Não será a felicidade algo somente possível a partir de causas externas? Não será verdade que a felicidade somente nos é apresentadas por situações que vivemos?  Não será verdade que a felicidade só é possível fora de nós? Há quem diga que a felicidade reside em nós, mas será que não é necessário um agente detonador externo? Algo que desencadeie toda a sensação de felicidade?
Não será verdade que o motivo que ontem nos felicitou, hoje nos infelicita?
Quer saber? Deixe tudo isto parar lá, tudo não passam de especulações, conjecturas e sofismas. Ademais a felicidade é algo muito subjetivo!!!
Já conseguia pensar.
Ela não era culpada, Ela só lhe mostrava sua vida como esta era, e o fazia isso com sua Ausência.
Na verdade Ela nem sabia disso tudo.

Gutemberg de Moura

     

domingo, maio 8

Viva a Hipocria

Às vezes me pego pensando.
“Oh, Deus porque me privaste do Dom da Ignorância”.
Pois me é demasiado sufocante perceber sem maquiagens as faces de meus “semelhantes”.
Suas intenções, suas dores, seu medos, suas vilezas.
Suas esperanças, suas benevolências, suas honestidades.
Não, não posso ser injusto, me comprazo quando vislumbro virtudes, não somente as destinadas ao meu Ser, porém a todos, em qualquer grau, e quanto mais hostil e perversa a situação, aos meus olhos se agigantam sua Abstração.
E quando observo a transcendência e o total desapego, que percebo nos gestos de alguns “seres raros” para com outros, causa-me um êxtase inefável.
Todavia, são raras tais materializações do “Divino”, o “Bem se materializando pelo Bem”.
Afundamo-nos com incrível rapidez e facilidade no mar ácido da ”Hipocrisia”. Principalmente naquelas praticadas pelos “Hipocristãos”.
Mas vivemos em um meio social, portanto a hipocrisia é de fundamental importância, é como costumo dizer “A ordem do caos”.
Sim demonstrarei em um exemplo, pois compreendo que nossa mente necessita de alegorias para entender fatos simples, tal qual uma criança necessita de associações, juntamente com uma voz infantil para lhe explicar o que é “Caca”, ou seja, sujeira que não se deve pegar.
Voltemos ao exemplo:
Estava Eu assistindo televisão (pois é não posso negar que me utilizo da máquina de fazer doidos) quando passando por um canal, algo me chamou a atenção.
Em um programa “Ecumênico” duma dessas L... qualquer coisa.
Havia uma música de fundo, do tipo feita para emocionar, um monte de crianças de cabeças raspadas,cabeças baixas, vestidas todas iguais (lembra alguma coisa?).
Andavam em fila indiana, para receber sua comida (ração).
Depois apareceu um Homem, de aparência muito refinada, com terno de corte impecável, e com uma fala mais impecável ainda.
Discorria sobre sua benevolência, e sobre como não havia pessoas que não fazia igual a Ele.
Discurso que acompanhei por uns dez minutos, depois veio propagandas sobre suas obras literárias (acho que de conteúdo duvidoso), e logo após apareceram na tela provérbios de “Grande sabedoria” soltos a esmo, todos atribuídos a Ele mesmo.
Depois disto, afirmei:
- Ai está o Bem pela “Glória”. Da soberba de ser Virtuoso e Humilde, apontando os vícios e a arrogância de outros!!!
Um viva à Hipocrisia!!!
Aplaudamos de pé a Hipocrisia!!!

Gutemberg de Moura

Medo de Mim Mesmo???

Um conto surrealista.

Estranha sensação de estar andando por horas a fio, sem perceber paisagem alguma. Não havia nada. Não há nada para ser visto?
Que estranho!!!
E repentinamente o tudo se faz.
O ar é pesado, o céu num misto surreal de cinza e laranja, e a frente um sem fim por caminho. Andando, andando, andan...
Uma pedra? É sim, é a minha pedra. Corro em sua direção, quero descansar na pedra. Aquela que fica no meio do caminho....
Sentei, agora estou seguro, protegido. Mas do que mesmo? Também não sei. Ah deixa pra lá, OK?
De repente a pedra se agiganta, monte, montanha. Agora estreita-se, e ergue-se tal qual um obelisco e sobe aos céus tal qual a Torre de Babel (Babel= Rebelião). Eu aqui de cima vejo tudo, vejo abismos colossais. Não, não são abismos, não passam de rachaduras no solo, meras ranhuras no solo árido. Rios, é isso são rios, olhe os corpos em curso. Corpos de que mesmo? Tanto faz, são só invólucros, apenas casulos de algo maior. Ou será que não? Hum?
O que? Eu falando? Ah sim, as estrelas, são realmente belas. Quais? As do mar? Ou as do firmamento? Que diferença faz? Se Eu quiser alcançar as do mar, lanço-me ao profundo mergulho. Se for as do firmamento lanço-me ao destemido vôo. De qualquer forma será uma bela experiência.
Este céu, este céu me amedronta, me oprime, mas também me conforta, me acolhe, gosto de estar sozinho, perdi o medo e o vento quente é gostoso.
Eu não estou bem, acho que estou alucinando!
Surgem três luzes piscantes, inicialmente muito tênues, mas logo se firmam, e começam a se movimentarem freneticamente no céu alaranjado.
O medo voltou, quero correr, mas para onde, minha pedra me traiu se Eu me mexer caio em queda sem fim...
As luzes! Elas pararam, agora rolam sobre si transformando-se, de círculos pequenos em linhas horizontais e paralelas, duas em cima lado a lado e uma logo abaixo.
Três riscos no céu, que se abrem e rasgam o firmamento. Os dois de cima assumem formas de olhos, gigantescos olhos. O de baixo assume a forma de uma boca que acompanha a proporção dos olhos, não ouso me mover, não consigo nem respirar, não tenho noção de mais nada, nem sei se estou vivo. Que horror!!!
Encarando esses olhos que me encaravam, Dês’javu. Sim Eu os conheço, são os meus olhos, meu olhar. Minha cabeça gira, estou tão confuso, onde estou mesmo?
- O que teme tanto homenzinho tolo?
A bocarra falou, e falou num coro de três vozes em uníssono. Uma grave e profunda, gutural, uma suave e aveludada, a última seca, metálica e gelada. Três vozes em uma só voz que saia de uma boca que percebi ser a minha boca. E repetiu a pergunta, tirando-me dos devaneios e me assustando novamente.
- O que teme tanto homenzinho tolo?
- Você, eu temo você, não sei o que é e me assusta.
- A sua ignorância o faz temer a si mesmo.
- Como posso temer a mim mesmo?
- Pois ainda não percebeu que sou você?
Quero acordar, me tirem daqui, estou ficando louco. E ainda não dá para fugir. Sumiu? A pedra sumiu, caindo,caindo, cain...
Minha feição voltara a ser riscos, que voltaram a ser círculos luminosos, que acompanhavam minha vertiginosa queda, em um espiral de luzes e Eu em seu centro.
Senti um impacto, mas não doeu, acho que nem senti, apenas percebi.
Levanto-me e procuro-me, as luzes sumiram. Sem roupas? Que vergonha! Estou nu! As luzes voltaram, surgem a minha frente, do nada, uma bem a minha frente, uma a minha direita e uma a minha esquerda. Tomam formas humanas, e atrás deles tronos formam-se a partir do solo.
Sentam-se, e de cabeças baixas permanecem. Eles vestem apenas uma túnica negra que lhes cobrem por inteiro.
Não conseguia ver seus rostos, nem seus gestos, pois não se moviam.
Toda essa situação continuava a ser assustadora, não havia nada entre nós a não ser o vazio, não saberia dizer se Eu estava de cabeça para cima ou para baixo, e essa situação causava-me caos. Por quê? Por que causa confusão e angústia viver uma situação onde não conseguimos nos situarmos nem ter certeza de nossa posição!
- Ouça-nos.
E mais uma vez sou tirado de meus devaneios com susto. A voz que havia falado era diferente, era uma única, era a mais grave e profunda, nesse momento quase soou paternalmente.
- Ouça-nos e guarde-nos.
A voz pertencia ao ser que estava a minha frente, sim, era a minha voz que eu ouvia, sim era a minha voz mesmo, mas bem diferente.
- Ouça-nos e guarde-nos, você precisa entender que....
- Acorda!!! Guto!!! Acorda!!!
- Hã, o que foi, o que aconteceu???
- Você desmaiou e ficou um tempão desacordado.
- Mas, mas e agora!!! Como vou saber o que Ele ia-me dizer?
- Ele? Ele quem? Será que você bateu a cabeça ao cair?
- Quer saber??? Deixa para lá você não entenderia nem acreditaria!!!

Gutemberg de Moura
  

Bibelô Surreal

...E estava Eu sentado, como uma peça decorativa em meu sofá.
Um Bibelô surreal, vidrado no aquário elétrico, sem perceber que Peixes boçais hipnotizavam-me e violentavam-me a mente, lapidando-me para poder “viver” de acordo com a ética e a moral vigente, ditadas por seres “antiéticos e imorais”.
O que? Não, não me acho acima do Bem e do Mal, pois, com efeito, digo-lhe que percebo melhor o Bem e o Mal.
O que? Arrogante e presunçoso?
Pode ser, porém reservo-me este direito. Por quê?
Porque não tenho pudores de dizer o que me vai ao coração, mas nem sempre foi assim.
Permita-me voltar a minha linha de raciocínio.
Dizia Eu, que estava sendo preparado (não acho de bom tom dizer “lobotomizado”, não é mesmo?) para ser um cidadão Cristão maniqueísta, submisso ao capital e de cultura igual a da média (medíocre soa ofensivo, não?).
Em troca teria o direito de escolher (ou votar, tanto faz) quem iria tornar minha vida mais árida, lógico que sei que todos mentem, porém é preciso acreditar, pois a esperança é burra, e pior recusa-se a morrer.
Ah, e se Eu conseguisse ser livre o suficiente, tinha também o direito de escolher minhas crenças. O Deus que me parecesse mais em moda eu o seguia. Claro que às vezes fica difícil seguir um Deus, não é mesmo?
Deixe-me lhe contar uma história:
Eu devia ter uns dezesseis ou dezessete anos, tínhamos acabado de mudar de bairro, minha família e Eu...
Não lhe falei? Pois é tenho família, pai, mãe, irmãos e os problemas; não deixa de ser engraçado, né? Os problemas (digo problemas para não dizer “Absurdos”) são tão constantes que os tomamos por parentes. Mas isso é outra coisa, falemos disso mais tarde, ok?
Bem vejamos, Eu estava a lhe falar sobre o que mesmo?
Ah, é mesmo! Então como era novo no bairro e não conhecia ninguém, e Eu também não sou dos mais sociáveis, não que seja Eu um “bicho do mato”, mas é que sempre achei que Eu me saia melhor como meu Amigo, todavia, isso não me impedia de conhecer pessoas ao longo da “trincheira”, oh desculpe-me a ironia, é que onde Eu morava não era, bem, assim um bom lugar para se sobreviver, sim, sobreviver, pois ninguém vive numa guerra, quem sobra é sobrevivente.
Peço-te que não se chateie, se me demoro com pormenores, mas se tem uma coisa que aprendi é colocar a mostra com mais nitidez os pequenos detalhes, só assim para se evitar mal entendidos, e é meu desejo sincero que me entenda bem, que não fique dúvidas a meu respeito e ao que penso, pois só assim sou livre, pois sou totalmente responsável por Mim e pelo que digo.
Mas vamos lá, numa dessas trincheiras, conheci uma garota, melhor dizendo ela me conheceu, pois sim, ela havia feito contato comigo, porque seus hormônios gritavam e ela precisava se achegar a mim, não por ser Eu uma pessoa “especial”, mas sim por ser novo no bairro, e não pense você que Eu me deprecio, pois sei bem que sou privilegiado em termos de aparência e porte físico, não espere hipocrisia com falsa modéstia de minha parte, pois não sou cego e tenho consciência de Mim mesmo.
Portanto é bem lógico chamar a atenção ao ponto de me transformar em troféu, bem admito que só inicialmente, depois passo a ser um Bibelô surreal.
Mas o fato é que essa garota chegou a Mim, pois isso aumentaria sua popularidade em meio a suas amigas igualmente fúteis, mas até entendo-as, pois somente queriam ser felizes, e serem admiradas causava-lhes certa felicidade, era como estar no topo, mas não entendo, porque do topo tudo o que se podia ver era a mediocridade se condensando, se solidificando.
Estranhamente essa garota convidou-me para ir a uma igreja evangélica.
Parei, pensei bem, olhei bem fundo em seus olhos e disparei.
- Quer saber? Este negócio não está dando certo, não posso mais!
- Que negócio? Do que você está falando Guto? O que não pode mais?
- Essa situação, você me carrega a todos os cantos só para me mostrar, e agora você quer me enfurnar em uma igreja, aposto e ganho que é só para demonstrar as suas “irmãs” como seu namorado é bonito e alto!
- Não, não é nada disso não, eu te amo!             
 - Você me ama? Tem certeza? Como pode me amar se não me conhece?
- Claro que te conheço Guto!
- Não, não me conhece, nada sabe sobre Mim, sobre o que me vai à Alma, sobre meus Pensamentos, sobre meus Medos, minhas Alegrias, meus Anseios, enfim nada sabe sobre Mim.
- Não é verdade, eu sei que te amo!
- Por favor, não insista nisso, você vai sofrer mais e sem razão, pois o que sente por mim é uma euforia, na verdade você ama me mostrar como se Eu fosse um Troféu, ou melhor, dizendo um Bibelô Surreal, como se eu fosse um aparato a ser admirado, mas saiba que sou muito mais do que isso, entendeu?
- Oh, Guto não fale assim comigo, não faça isso, eu te am...
- Chega, basta já me decidi, e no futuro você entenderá que foi o melhor a ser feito, Eu sou muito Complexo e você não entende esta complexidade! Adeus seja feliz em sua vida.
Virei de costas e comecei a caminhar a passos largos, quase correndo, pensando bem até tive pena, mas o que Eu podia fazer, Eu não posso ser infiel a mim mesmo, me trair e me anular, realmente foi melhor assim.
Afinal não sou nenhum Troféu muito menos Bibelô

Gutemberg de Moura