sábado, maio 7

Tuareg

Sou um Tuareg.
Nômade por natureza.
Um Imajerem – da casta dos Nobres Guerreiros.
Desgarrei-me do meu grupo.
Por isto só trago comigo minha túnica Tagelmust índigo azul, minha Takoba (espada tuareg), pergaminhos e penas.
A Takoba não sei se vou precisar.
Por que me desliguei de meu grupo?
Por que descobri que não nasci para a matança.
Então diante deste fato, como não podia pertencer à outra casta, só tinha duas opções.
Ser banido com o Cuspe do desprezo e ser opróbrio entre outros povos.
Ou sair espontaneamente como Buscador Divino.
Aquele que perambula pelo Deserto em busca de Deus.
Tenho contato com outros seres humanos por acaso.
Às vezes passo dois ou três dias com uma caravana que eu encontro.
Não mais que isso, e retorno à minha jornada.
Habito os desertos ao sul da Líbia, mas no inverno vou parar o norte, o Saara, o inverno neste Deserto é mais bonito e inspirador.
Com tanto tempo, já sou muito experimentado nas ciladas e armadilhas do Deserto.
Sei onde tem água, comida e por onde passam as caravanas dos Beduinos assassinos, homens cruéis e sem alma.
Num dia desses de minha peregrinação, me aconteceu algo diferente.
A princípio pensei que fosse miragem, já estou acostumado a miragens.
Mas não, quanto mais eu chegava perto, mais eu percebia que era real.
Dava para ver o cintilar de seu vermelho-carmesim aos raios do Sol.
E quanto mais perto mais nítida ficava sua beleza de ser a Única.
Quando em fim me aproximei, pude sentir seu perfume exalando.
Fiquei atordoado, zonzo quase desfaleci inebriado.
Neste momento me ajoelhei e rezei de todo meu coração.
Dei Graças e Louvei a Deus por contemplar sua Divina criação.
Depois disso senti-me muito cansado e adormeci.
Em meus sonhos uma Rosa, a mais bela e perfumada de todas.
Sussurrava em meus ouvidos versos, versos que me emocionavam, versos que me ruborizavam, versos que me acalentavam, versos que me abalavam.
Sonhos diversos e versos e versos (não quero acordar).
Quando acordei, fiquei mais um dia inteiro contenplando-a.
No dia seguinte tinha que ir embora.
Afinal eu sou um Tuareg nômade Buscador de Deus.
Sou peregrino errante, não posso fixar moradia, ainda que quisesse.
Mas a ti Divina Flor, Divina Rosa do Deserto, todo meu Bem querer.
E não se preocupe, desenhei um mapa em meu peito, para que Eu possa sempre que possível voltar.    
Para tua beleza admirar, e nos sonhos mais versos sussurrados.

Gutemberg de Moura

2 comentários:

  1. Gostei do escrito.
    Sobressai uma escrita fácil de pensamentos intensos e um pouco perturbadores.
    Continue, serei seu leitor.

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  2. Parabèns gostei muito do texto , sou do tipo de pessoas que gostam das coisas Simples mais intensas... Abraço fraterno

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